ENEM 2021 — 2021 • #559
Introdução a Alda Dizem que ninguém mais a ama. Dizem que foi uma boa pessoa. Sua filha de doze anos não a visita nunca e talvez raramente se lembre dela. Puseram-na numa cidade triste de uniformes azuis e janelecos brancos, de onde não pôde mais sair. Lá, todos gritaram-lhe irritados, mal se aproximava, ou lhe batem, como se faz com sacos de areia para treinar os músculos. Sei que para todos ela já não é, e ninguém lhe daria uma maçã cheirosa, bem vermelha. Mas não é verdade que alguém não a possa mais amar. Eu amo-a. Amo-a quando a vejo por trás das grades de um palácio, onde se refugiou princesa, chegada pelos caminhos da dor. Quando fora do reino sente o mundo de mil lanças, e selvagem prepara-se, posta no olhar. Amo-a quando criança brinca na areia sem medo. Uns pés descalços, uma mulher sem intenções. Cerecada de mundo, às vezes sofrendo-o ainda. CANÇADO, M. L. O sofredor do ver . Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
Questão sem imagem de apoio
- A Irônica quanto aos efeitos do abandono familiar.
- B Resignada em face dos métodos terapêuticos em vigor.
- C Alimentada pela imersão lírica no espaço da segregação.
- D Inspirada pelo universo pouco conhecido da mente humana.
- E Demarcada por uma linguagem alinhada à busca da lucidez.
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