ENEM 2018 — 2018 • #867
O trabalho não era penoso: colar rótulos, meter vidros em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvê-las em papel celofane, branco, verde, azul, conforme o produto, separá-las em dúzias… Era fastidioso. Para passar mais rapidamente as oito horas havia o remédio: conversar. Era proibido, mas quem ia atrás de proibições? O patrão vinha? Vinha o encarregado do serviço? Calavam o bico, aplicavam-se ao trabalho. Mal viravam as costas, voltavam a taramelar. As mãos não paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, Leniza se completou. Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, Deolinda – foram mestras. O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogar de corpo que convida, um quebrar de olhos que promete tudo, à toa, gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou mais quente. A própria inteligência se transformou. Tornou-se mais aguda, mais trepidante REBELO, M. A estrela sobe . Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.
Questão sem imagem de apoio
- A Julgamento da mulher fora do espaço doméstico.
- B Relato sobre as condições de trabalho no Estado Novo.
- C Destaque a grupos populares na condição de protagonistas
- D Processo de inclusão do palavrão nos hábitos de linguagem.
- E Vínculo entre as transformações urbanas e os papéis femininos.
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